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e ainda estou aprendendo…

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Ao optar pausar o automatismo do cotidiano e partir para viajar sem planos e rotas definidas, escolhi me abrir para o desconhecido e comecei e criar alguns espaços dentro de mim. Ao sair de casa, pude perceber outros ângulos de visão de mundo e entender que a vida está muito além do meu discernimento de certo e errado. O contato com culturas e formas até então desconhecidas de se relacionar com a vida me fez deparar com o desconhecido em mim. Construir amizades pela estrada me ajudou a me conhecer com mais honestidade e a aceitar aquilo que antes eu negava. Ao transitar por caos e silêncio, agito e mansidão, reconheci esses aspectos viventes em mim e aprendi a valorizá-los.

Escolher viajar para certos lugares pode significar escutar sobre os perigos e riscos que a jornada oferece. É preciso paciência e discernimento para não se deixar levar pelas projeções e visões de mundo que vem de fora. De fato existem  dados de realidade e situações específicas de cada país, mas aos poucos fui percebendo um olhar para além dessa superfície.

Através da vivência, percebi que meu estado interno interferia nas situações que me aconteciam durante meus percursos, e que preservando uma boa vibração até o que poderia ser visto como dificuldade passava com tranquilidade. Recebi auxílios quase milagr69604_598218086870755_1603525216_nosos quando estive nesse estado de percepção. Por outro lado, quando me esquecia de tudo isso, as quedas foram mais dolorosas e os ensinamentos muito mais prolongados. Assim, fui reconhecendo e despertando o potencial de quebrar e ressignificar padrões de medo que estavam enraizados em mim, para então viver uma realidade a partir de novos paradigmas. Notei que podia trocar as lentes dos óculos que vestia e então, estruturar um novo olhar baseado na confiança e em relações plenas.

Percebi como a realidade é relativa ao nosso mundo interno. Pessoas diferentes passam pela mesma situação e têm pontos de vista distintos, pois enxergam o mundo a partir de pontos de perce10734072_1014148455277714_5244299971833722947_npção particulares. Todo mundo que vai pra Índia sabe que é comum tentarem “tirar vantagem” ou darem um jeitinho para ganhar um dinheiro a mais de você. Esses são fatos. A forma como enxergamos e lidamos com eles depende do que estamos a construir dentro e projetar fora. Podemos optar transitar com atenção e confiança ou viver cada instante no medo, na defensiva e assim, limitar nossa experiência. Quanto mais medo, mais situações surgem para mostrar que ter medo faz sentido. É a lei da atração vivenciada na prática.

Algumas vezes precisei parar porque meu corpo pediu. Aprendi a silenciar e a agradecer a doença quando ela veio. A abrir minha escuta sutil, estar receptiva e não resistir a ela, pois ficar fragilizada fisicamente me ajudou a abrir fronteiras, deixar entrar algo que antes ficava fora. Percebi no ato de deixar entrar, o amor.

Interiorizei, silenciei e observei os sintomas. Compreendi o corpo físico como um mensageiro e me permiti integrar a mensagem que meu inconsciente trazia de maneira tão verdadeira.

Foi longe de casa que valorizei a sabedoria dos anciãos. Despertou em meu peito uma emoção550348_589192671106630_1806630836_n ao reconhecer uma infinitude silenciosa por  detrás da pele enrugada. Chorei pelos momentos que não soube respeitar esse conhecimento.

 

Pude ter um vislumbre de que desde um grão de areia até grandiosas montanhas carregam em si o todo. O infinito está presente ali, mas para aprender com essa grandeza precisei olhar com olhos de criança, de curiosidade, de não saber. Vi na superfície a capa da realidade e por trás dessa capa tudo está conectado entre si e com a fonte da vida. Permiti-me sentir sem nomear o que sentia e simplesmente observar.

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Entendi que se procurarmos a felicidade não a encontraremos. Mas que ao estarmos presentes e olhando para dentro seremos a própria felicidade.309254_612632255429338_1398354392_n

Observei que quando eu crio um teatro no lugar de vida e atuo ao invés de viver, a plateia passa a ser mais importante do que a Verdade. Fico envolvida demais com a cena, me confundo com os papéis e personagens. Mas ao reconhecer que estou representando, esse reconhecimento cria espaço entre mim e o personagem.

Descobri um novo universo ao me permitir ser a minha própria guia nessa caminhada. E com isso, me abri para ser guiada por algo que vai além da minha compreensão. Entendi que é ao caminhar que o caminho se abre e que para isso é necessário dar o primeiro passo. Nesse momento, aprendi sobre confiança e coragem.

Quando a bagagem pesou, percebi que a atitude de soltar e deixar ir gerava medo, pois eu enxergava no que possuía minhas referências.

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Ao viajar em parceria, pude reconhecer o outro como um canal para eu poder integrar o que eu não conhecia em mim. A intimidade proporcionou um mergulho em aspectos dolorosos de reconhecer e aceitar. Notei a diferença que há entre reagir às sensações e com isso, negar a mim mesma com esperar para falar, observar as sensações e entender o que querem dizer sobre mim.

Aprendi sobre a comunicação equilibrada, a que vem do coração. Fui aprendendo a remover as cascas ao falar sobre minhas emoções com honestidade e com campo da receptividade bem aberto. Percebi que desta forma, o diálogo se eleva e não há mais ataques, pois já não há quem se ofenda e a vitimização chega ao fim. Vi nas relações o néctar do autoconhecimento.

Percebendo as m10920949_1056008394425053_6699361856612491830_narcas do passado tão presentes na desigualdade de raças em um país que é dos negros, vendo turistas sendo tratados como reis de terras distantes por serem detentores do capital, ao ter minhas raízes chacoalhadas ao perceber meus apegos, reconheci minha humanidade e a humanidade coletiva.

As despedidas me ensinaram sobre a impermanência da vida, como tudo passa ao mesmo tempo em que permanece, pois para além das transformações geradas em mim nada do que vivi me pertence e as vivências se vão com o sopro do vento. Assim, entendi que não existe partida real, pois o vivenciado está dentro.

Com o retorno ao lar, aprendi sobre a gratidão às origens. Cada retorno veio acompanhado de um novo conceito sobre o que é viajar e com a compreensão de que a jornada pouco agrega se não existir a jornada para dentro com consciência.

 

Daniela Ribeiro

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  • Roberto Maldonado 68
    Responder

    É o divino encanto do “viajar”. Percebi o sentimento manifestado!
    Celebremos!

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