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A solidão, para muitos, é um sentimento a ser evitado a todo e qualquer custo, para mim, particularmente, ele tem se tornado um sentimento profundo e poderoso, oportuno para o crescimento e conhecimento pessoal. Acredito que devido a isso, esta frase que intitula o texto que discorrerei aqui tenha ficada tão presente em meu subconsciente desde a última Roda de Gestantes que realizamos no Matri Gaia.

No último dia 20, o tema de nossa roda foi “Olhares para a Gestação e Conexão com o bebê”. Tivemos o privilégio de assistir, juntos, um vídeo do congresso Nascer Melhor em que a terapeuta reichiana Claudia Rodrigues trouxe reflexões sobre os processos transformadores que as mulheres passam a cada trimestre gestacional. Ao findar das colocações ela discorreu sobre o processo do parto e enfatizou muito o quanto solitário ele é, o quanto a mulher precisa estar introspectiva, com ela mesma, com suas forças, após matar todos seus medos, para parir seu filho ou filha em um momento só, somente deles.

No Movimento da Humanização da Assistência ao Parto enfatizamos muito a importância do empoderamento da mulher, de sua luta conta a violência obstétrica e de suas escolhas, afinal “seu corpo, suas regras”. Tanto em um ambiente hospitalar quanto domiciliar a força da mulher na preparação para o momento do parto, do nascimento fica muito clara e evidente. Ela organiza, escolhe uma equipe, traz o que não permite que aconteça com seu corpo e com seu bebê, sonha com o local, a bola, a banheira, a banqueta…, planeja lindamente o momento único que está por vir.

No entanto, muitas vezes, neste processo todo, a mulher acaba depositando tudo, absolutamente tudo o que acontecerá com ela e seu bebê nesta equipe. A rede de suporte e proteção formada por enfermeiras obstetras, doulas, médicos obstetras e neonatologistas, parteiras, acompanhantes, parceiros, terapeutas e quem mais ela escolher, está presente para APOIAR essa mulher. O cuidar, sugerir, preservar, observar, auxiliar, zelar por um ambiente seguro e favorável para o nascimento são todas funções da equipe. Porém, ninguém dessa rede, dessa equipe será capaz de parir pela mulher e qualquer projeção neste sentido pode levá-la a uma frustração muito grande.

Nós da equipe de apoio, mulheres queridas e guerreiras, estamos com vocês como suporte, como alicerce, mas a força de elevar o prédio nesta nossa construção é totalmente interna e pertence a vocês. Por isso deixo a reflexão da importância deste entendimento da solidão feminina que envolve o ato de parir um ser humano.

Com carinho.

Mari

Mariana Colombo Araújo

Doula e Fisioterapeuta

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