em Blog

O choro do bebê causa em você muito desconforto e cansaço? Inúmeras vezes não consegue entender a causa do choro e sanar o problema?

Porque entender que o choro tem um significado e precisamos olhar para isso? O que o choro do meu filho tem a ver com meu mundo interno e com as minhas emoções?

O choro do bebê tem uma relação intrínseca com seu mundo interno, pois é a forma com que consegue se manifestar e mostrar algum tipo de descontentamento. É a sua maneira peculiar de comunicação. Mas isso é somente uma parte do todo. Aqui, iremos levar até você nossa visão de que o bebê, quando chora, além de demonstrar seu próprio mundo interno, demonstra o de sua mãe, pois compartilham as mesmas emoções e sentimentos nessa fase inicial da vida.

o choro do bebê

Como isso se dá? Como é possível compartilhar as emoções?

Quando o bebê nasce, dois corpos que estavam unidos em um só passam pela separação física com o corte do cordão umbilical. Mas não se separam emocionalmente. O inconsciente é compartilhado! Então, ainda todas as emoções que essa mãe sente, como ela enxerga o mundo e suas percepções dele o bebê também sente, mesmo separado fisicamente de sua mãe.

Aí reside a dificuldade! E também a beleza. Pois, assim, a mãe que ainda é “uma só” com seu filho pode atender toda a demanda que ele irá trazer decodificando as necessidades dele. E vice e versa, pois o bebê pode demonstrar para a mãe sinais de acalento, calma, tranquilidade quando está em contato com sentimentos positivos dessa mãe. Laura Gutman traz em sua obra “Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” uma tradução muito bonita desse conceito, na medida que o identifica como pertencente a todas as relações mãe e filho.

O que significa o compartilhamento das emoções? Porque isso é necessário?

Há uma expressão bem intensa que diz assim: “o bebê chora o que a mãe cala”. Ela traduz de certa forma o que foi trazido há pouco nesse artigo, pois nos remete ao fato de que quando há um sentimento que precisa ser olhado, uma experiência que foi doída para essa mãe e que ela deixou muitos anos embaixo do tapete, uma relação com sua família de origem ou com uma amiga que precisa ser revista e curada, sua relação conjugal e algumas questões que até o momento não foram trabalhadas, esse bebê por compartilhar o mesmo mundo emocional da mãe, irá convidar essa mulher para rever todos esses pontos que não foram muito bem “digeridos” e então CHORAR! Em alto e bom som! Assim é o choro do bebê.

E dói! Dói muito ouvir o choro do filho! Incomoda, causa irritação e cansaço! Assim, faz com que possamos sair de algum lugar que poderia estar confortável, de nosso lugar comum, para outro, infinitamente mais profundo: o lugar de reconhecer nossas dores e nossas potências. É um mecanismo de adaptação incrível, pois faz com que possamos realmente evoluir para sermos mais fortes para abarcar toda a grandeza que é acolher uma vida tão dependente de nós.

Escrevemos mais sobre o significado do choro do bebê para ele mesmo, nesse artigo aqui.

o-choro-do-bebe

Com que frequência esse fenômeno ocorre?

Não é tarefa simples, mas é possível e envolve, inclusive, treino. Tentativa e erro. Permitindo-se cometer erros ao decodificar o que o choro do bebê significa e o que ele precisa, facilita, pois o julgamento dá lugar a autonomia, maior discernimento e compreensão consigo mesma. Nesse caminho, há maior suavidade e maior distância de cobranças exageradas que só levam à culpa e vitimização.

Como essa conexão ocorre a todo momento, há bastante chance de acertarmos e de tentarmos novamente, caso não consigamos entender o que, de fato, ele (e você!) precisa em determinada situação.

Como devo me atentar e distinguir quando o choro do bebê está manifestando algo meu ou dele?

Um exemplo bem importante foi de uma mãe que estava muitas noites sem conseguir dormir, pois o choro do bebê estava bastante intenso. Não sabia mais o que fazer: mudou o berço de lugar, benzeu, pediu para que o pai o fizesse dormir, tentou não oferecer o peito de madrugada, mas nada parecia adiantar.

Até que um dia, no silêncio e solidão da madrugada, ela começou a conversar com o filho, dizendo a ele que estava muito cansada e que não sabia direito como ser mãe. Que estava tentando e estava dando seu melhor, mas parecia não adiantar. Ela entrou em contato com uma dor muito profunda de sua relação com a própria mãe enquanto conversava com seu filho e, no dia seguinte, foi conversar sobre um fato de sua adolescência que causava muita raiva nela enquanto filha, pois entendia que sua mãe poderia tê la protegido e não o fez. Quando conversou com sua mãe e expôs essa dor, elas puderam dialogar e essa nova mãe percebeu a humanidade em sua mãe, seus limites e parou de culpá-la. Esse bebê parou de chorar e dormiu muito bem nas noites que se sucederam.

Esse é somente um exemplo de tantos que recebemos nas rodas de mulheres e na clínica, individualmente. Pois, quando elas acessam a dor, -o que realmente incomoda ou precisa ser visto- o sentimento negativo se dilui e o bebê não precisa mais convidar para enxergar. Está visto!

Se for algo somente dele, como fralda molhada, frio, calor excessivo, o corpo dele irá nos indicar que conseguimos sanar o problema. Mas geralmente não é: é algo da mãe e das emoções que não foram vistas. Se esse bebê der sinais de que se acalmou é porque conseguimos decodificar. Se não o fez, é porque ainda temos que pesquisar o que precisa ser revisitado.

Qual o melhor local para ouvir a si mesma e ouvir o bebê?

Há necessidade de silêncio para poder estar mais atenta à essa sutil sintonia e resposta do corpo e do choro do bebê. Escolha um local que mais lhe traga conforto para se entregar para essas vivências tão profundas que lhe deixarão vulnerável. A mãe estando firme nas escolhas que faz e no seu lugar nessa teia, o bebê se acalma e pode continuar se expressando livremente para trazer mais convites. Pois, esse processo não tem fim. Esse vínculo de dependência é muito intenso no começo da vida. Com o tempo, a linguagem e outras formas de se comunicar entram e os inconscientes e emoções da mãe e do bebê se separam, finalmente. Em média, com dois anos de idade.

Quanto aprendizado pode vir de um choro do bebê! Quanta sabedoria eles carregam e como é bonito ver isso de forma tão intensa nesses primeiros contatos mãe e filho. Nossos votos é que acolham esse choro como auxílio na sua própria caminhada e que não queiram silenciar imediatamente o que eles estão nos oferecendo para revisitar.

São mestres esses bebês, grandes mestres.

Conhece alguma mãe que possa se beneficiar desse conteúdo? Compartilhe para chegar até quem precisa. Se tiver alguma dúvida, escreva aqui nos comentários abaixo.

 

shadow-ornament

 

Para aprofundar o tema, baixe gratuitamente nosso E-book “Pós Parto – Como atravessá-lo com mais tranquilidade”. Fizemos especialmente para você! Acesse clicando no botão abaixo!

 

Eu quero acessar o Ebook

 

 

 

Postagens Recentes

Deixe um Comentário

0

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar