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Ontem estava indo trabalhar pela manhã e uma vozinha rouca (e uns olhinhos ainda inchados) me disse: “mamãe, posso ir com você? Quero ir junto!”
Sim, minha filha! Vamos trabalhar com a mamãe…
E fomos! Não foi fácil não, confesso! Tinha duas reuniões marcadas.
Tranquilo! Era só ela ficar do meu lado brincando com a boneca que havia levado e com outros tantos brinquedos que tem no Matri e pronto!
Mas não! Claro que não! Ela queria companhia, queria alguém para amparar um olhar curioso e uma mente agitada e animada para aprender.
A primeira reunião conseguimos,ufa! Passou e agora só faltava mais uma para podermos ir juntas embora…
No meio de uma e outra reunião, conseguimos nos conectar e pegar umas jabuticabas no pé! “nossa mamãe, estão deliciosas, né?” não tínhamos levado nenhum potinho! Para quê potinho se temos uma saia longa? e ela foi trazendo os frutos até a cozinha, toda dona de si, enquanto segurava a barra de minha saia com suas mãozinhas pequeninas.
Segunda reunião…Entre vários pedidos de “licença mamãe”, “e agora, acabou?”, “quero brincarrrr”, não consegui e me deixei levar pelo mais fácil! “Filha, pode assistir a um desenhinho no meu celular enquanto finalizo aqui”.
Dessa forma, é impressionante como as crianças param tudo o que estão fazendo e ficam justamente PARADAS! Imóveis! Estáticas! Fico numa situação dual: mais tranquila, pois posso finalizar minha conversa com mais foco, mas também fico inquieta, pois vejo que a criança cessou de andar de um lado para outro e brincar!
Aqui cabem reflexões quanto à maternidade real! Aquela recheada de dúvidas com relação à criação dos filhos…aquela que nos tira o melhor e também o pior….aquela que nos pegamos pensando se essa ou aquela intervenção foi benéfica para nossa criança ou somente para nós mesmas, enquanto adultas apressados e sem paciência.
O celular não foi por ela, foi por mim!para me aquietar!
Felizmente, um amiguinho chegou e a tirou do mundo solitário da tecnologia! Mas a reflexão ficou dentro de mim…
Por último, mais um ensinamento de minha grande mestra: fechando o portão, apressada para ir embora (afinal, o mundo dos adultos tem hora), nos deparamos com várias vacas e bezerrinhos que ficam no pasto ao lado do trabalho.
“Olha mamãe, são muitas!!”; “precisamos descer para dar carinho pra elas”. De novo, minhas duas partes conversaram: uma delas, apressada dizia que não, que deveríamos ir embora e almoçar…a outra, dizia para aproveitar enquanto ela se encanta com a natureza, com os bichos, que deveríamos deixar tudo e irmos juntas até lá!
Felizmente, a segunda ganhou! Ficamos um bom tempo tentando diferenciar quais eram machos e fêmeas, como será que eles eram chamados e quais gostariam de carinho.
Filha, obrigada por existir e por me convidar a olhar com seus olhos!!!

Mariana Carvalho Pereira
sócia do Espaço Matri Gaia
Psicóloga Perinatal
CRP 100732-06

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