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Com freqüência tem sido dito que a única coisa que não muda no mundo, é a própria mudança. A vida está mudando continuamente, evoluindo, morrendo e renascendo.” – Osho

Mudar… Quando você pensa em mudança o que lhe vem à cabeça? À mim, em um primeiro momento me remete a um caminhão cheio de móveis, caixas de papelão… Mudar de casa, mudar de cidade… Ou então mudar a aparência, cortando o cabelo, mudando a cor dos fios…

Bem, hoje o que vim partilhar são reflexões que tenho tecido sobre o processo de mudança. Muitas vezes, em nossa vida, nos sentimos infelizes e insatisfeitos com aspectos de nossa profissão, de nossos relacionamentos com as pessoas que convivemos, com a forma que cuidamos de nossas casas, enfim, com a maneira que vivemos.

Às vezes, podemos sentir que precisamos ter mais organização com nossas coisas, ter posturas diferentes da que costumeiramente assumimos, ter mais paciência com nossos familiares e, para quem é pai ou mãe, com nossos filhos. Nossa intuição vai dando pistas de que esta conduta não está sendo íntegra, que não estamos dando o melhor de nós e que, sim, podemos melhorar.

Mas o que fazer? Para quem pedir ajuda? Quem vai poder resolver estas situações que parecem não ter soluções? Em alguns casos terão mesmo que acontecer mudanças drásticas como dar fim a um casamento, mudar de país ou cidade, mudar de profissão, ou mesmo de casa. Mas o que tenho percebido com muita clareza e, na prática, é que todas estas mudanças só adquirem sentido profundo e real quando nos abrimos para mudarmos internamente, transformando nossas crenças, nossos comportamentos e hábitos. E em muitos casos (o meu, por exemplo) o contexto, o cenário e entorno vai continuar o mesmo: mesmo companheiro, mesma profissão, mesma casa… Mas por dentro, está tudo diferente, as condutas, as ações, os pensamentos.

Muitas vezes, vamos querer buscar fora de nós as respostas e soluções, ou ainda, culpamos outras pessoas ao nosso redor por as coisas estarem como estão: “porque se não fosse Fulano fazer o que faz, tudo estaria bem”, “Ele/a é que tem que mudar, parar de fazer o que faz”. E neste processo de culpar o outro tiramos o foco do que realmente importa, de nós mesmos/as, de nossa reatividade diante das situações que vivenciamos.

Costumeiramente, estamos em uma postura reativa. Explico: alguém nos fecha no trânsito e na adrenalina, nos irritamos e buzinamos, tendo alguma reação de raiva. Nosso/a companheiro/a ergue a voz conosco e uma discussão se inicia e nós reagimos gritando também, ou nos calamos, não conseguindo expressar nossos incômodos e nossa verdade.

Então, olhar para dentro, para si mesmo/a, com perdão e amorosidade, sendo fiel, antes de tudo, à nossa essência, é o caminho. Olhar para o que nos incomoda em nossas ações e relações, em nossas escolhas, em nossa vida é um processo exigente, que dá trabalho, que pede envolvimento, força de vontade e, sobretudo, comprometimento. O quanto estamos comprometidos/as realmente com nossas verdades, com nossos sonhos? Estamos comprometidos/as em estarmos presentes e conscientes em nossas ações cotidianas, momento a momento? Estamos dispostos a fazermos mudanças necessárias para que a nossa vida flua da maneira que intentamos?

E eu garanto: uma parte de nós (ou várias delas) vai sim colocar resistência às mudanças e curas. Vai! São nossos aspectos sabotadores que vão ficar tagarelando em nossa mente: – Não vai procurar isso não, vai dar muito trabalho… Vamos lá comprar uma roupa nova, assistir algo interessante que já vai passar. E nos anestesiamos (obs: não estou fazendo crítica a quem faz isso, pois eu mesma faço e já fiz muito, mas para refletirmos com sinceridade). E deixamos mesmo passar. Mas logo logo o incômodo está lá, renovado, apontando que o que de fato tinha que ser sanado, trabalhado não foi.

E delegar para que outros resolvam e solucionem também não adianta por si só. Ir ao médico para obtermos um diagnóstico, uma receita de medicamento é paliativo, pode até amenizar os sintomas e fazer desaparecer… Por um tempo, mas ainda assim estaremos tampando o sol com a peneira. Procurar ajuda terapêutica é maravilhoso, um auxílio para adentrarmos nossas dores em segurança e com profissionais de confiança é essencial!

Mas que fique claro: o desejo de mudar, trabalhar, curar aspectos de nossa vida e de nós mesmos/as só se concretizará quando nos comprometermos conosco, afinal esta é uma porta que só pode ser aberta pelo lado de dentro, por nós! Não adianta que outras pessoas tentem realizar esta abertura, pois cabe somente a nós realizá-la! As reais mudanças só acontecerão quando aquietarmos nossa necessidade de encontrar tantos porquês. Muitas vezes, gastamos muita energia nos questionando: nossa intuição (aquela voz lá de dentro, nosso sentir) está apontando o caminho, por vezes gritando para ser ouvida e nossa mente, com seu som incessante e ensurdecedor abafando, questionando, tentando encontrar um sentido lógico, racional e que seja aceito socialmente.

Mas quando seguimos e confiamos em nosso sentir, quando nos abrimos para que as curas realmente aconteçam, quando permitimos que aspectos de nós se desprendam, morram, dando espaço para o novo e desconhecido, sim, as mudanças profundas acontecem e vamos renascendo. Vamos ter que ter empenho, confiar, mergulhar e, sim, vamos sentir um bocado de medo. E qual seria o antídoto para o medo? Em primeiro lugar, o amor! Sim, pois na matriz do amor tudo flui, o amor traz por si a integridade, a retidão, a honestidade. Depois, a confiança em que o universo proverá e fará sua parte quando nos abrimos para a real mudança em nós e ele irá nos surpreender quando dermos espaço para que ele assim o faça. E também, ela, a coragem! E através dele e nela, voltamos ao amor!

Para Rudolf Steiner, “o contrário do medo não é a coragem, mas o amor. Cor – agem é coração agindo em nome do amor”. E hoje é um dia muito especial: em 29 de setembro comemoramos o dia do arcanjo Micael. O nome Micael deriva de Miguel de origem hebraica Mikha’El que significa “que é como Deus”. Este arcanjo é o grande enviado por Cristo para acompanhar e trazer força interna e consciência ao ser humano, para que se desenvolva integralmente, em equilíbrio. Micael vem nos trazer o impulso da coragem para crescermos e amadurecermos, para que possamos romper as cascas de nossas sementes internas, que foram nutridas e cuidadas durante todo o inverno, para que elas possam germinar e sair da terra em busca do sol, da luz, crescendo, florescendo e frutificando, gerando, assim, novas sementes!

Feliz primavera! Feliz renascer! Feliz vida nova!

Regina Souza, mulher, mãe, esposa, e semeadora de sementes de saúde, de amor e de abraços quentinhos!

Leituras relacionadas e complementares:

  • FORJANDO A ARMADURA – Rudolf Steiner (1861-1925)

Nego-me a me submeter ao medo
que me tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada,
que me toma pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue,que ocupa negativamente minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo
do medo. Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não
para encobrir meu medo.
E, quando me calo, quero fazê-lo por amor
e não por temer as conseqüências de minhas
palavras.

Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos
outros pelo medo de que possam impor algo a mim;
por medo de errar, não quero tomar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável,
por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo
de que senão poderia ser ignorado.

Por convicção e amor, quero
fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim.

_________________________________
CORAGEM (Carta do Tarô Zen de Osho)

A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos – e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos. Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho, e segue em frente. Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária.Comentário:

Esta carta mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas, das pedras em seu caminho, para aflorar à luz do dia. Envolta em brilhante aura de luz dourada, ela exibe a majestade do seu pequenino ser. Sem nenhum constrangimento, equipara-se ao sol mais brilhante. Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer. A flor nos mostra o caminho, na medida em que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há nenhum sentido em se lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se na flor, precisamos passar por eles. Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser.

 

Fonte:

  • TARÔ ZEN, DE OSHO (O) – O JOGO TRANSCEDENTAL DO ZEN COM 79 CARTAS, EDITORA CULTRIX, 2015.
  • Texto “Época de Micael – Na visão da Antroposofia” – de Eliane Azevedo (site: http://www.lemnisfarmacia.com.br/epoca-de-micael%E2%80%94-na-visao-da-antroposofia/)

 

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Comentários
  • Roberto Maldonado 68
    Responder

    Fato! Na atualidade vivemos “as mudanças nossas de cada agora”.

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